Turma 5
Componentes do grupo: Ivonete, Jozemar, Édena, Claudete
SOBRE HISTÓRIA DE VIDA
(a) Definição ou descrição da fonte. O que é? Para quê serve? Quando é recomendada sua aplicação?
A História de Vida é um relato autobiográfico que vai sendo tecido e ampliado em cada etapa.
É uma nova forma de pesquisa.
Desde as décadas iniciais do século XX, sociólogos e antropólogos norte-americanos fizeram uso de relatos orais em suas investigações. No Brasil, a utilização de relatos orais em pesquisas acadêmicas remonta aos anos 50. Contudo, foi apenas no contexto da "Nova História" que as fontes orais fizeram sua reentrada no campo das Ciências Sociais, embora ainda continuem a enfrentar resistências da parte de alguns historiadores.
Direciona pela perspectiva oral, considerando o uso da palavra como documento de registro e análise.
Os relatos produzidos pela história oral devem estar sujeitos ao mesmo trabalho crítico das outras fontes que os historiadores/pesquisadores costumam consultar.
Concepção de discurso como palavra em ato.
É fundamental o uso da história de vida através da história oral para constituirmos o patrimônio cultural de comunidades sem escrita ou aquelas que agora estão adquirindo escrita (comunidades indígenas).
(b) Procedimentos (como se faz ou como se deve proceder):
A retomada de fatos significativos da vida, numa perspectiva de presente e passado, pode ser feita utilizando-se uma diversidade de fontes (depoimentos de pessoas da família, certidão de nascimento, certidão de batismo, fotografias e objetos pessoais). A investigação e escrita da história de vida vida significa, metodologicamente, refazer o caminho do historiador, utilizando e comparando diferentes documentos, refletindo e sistematizando dados, construindo conhecimento.
A matéria-prima dos depoimentos com os quais se trabalha na história oral, são as lembranças, contudo as lembranças não vivem no passado, ao contrário, precisam do tempo presente para serem projetadas a um sentido.
Tecnicamente, entrevistar é estabelecer uma relação comunicativa, que está presente em todas as formas de coleta de relatos orais, pois estes implicam sempre um diálogo entre pesquisador e narrador. Contudo, pode-se distinguir as técnicas da história oral (entrevistas, depoimentos e história de vida) de outra maneira: para Maria Isaura P. de QUEIROZ, "a diferença entre história de vida e depoimento está na forma específica de agir do pesquisador ao utilizar cada uma destas técnicas, durante o diálogo com o informante. Ao colher um depoimento, o colóquio é dirigido diretamente pelo pesquisador", este poderá esgotar as informações em um só encontro, ou estender a vários. Então o trabalho do historiador/pesquisador não é o de somente registrar uma entrevista, ou uma história de vida, ele se inicia justamente no momento em que se torna necessário organizar e analisar o relato fornecido pelo entrevistado. Construir uma trajetória de vida, não significa elaborar uma mera biografia do sujeito.
Nesse modelo de análise, identificamos, inicialmente, os seguintes elementos: tema, episódio, referência, motivo e trama, que se referem à organização interna dos depoimentos. O tema é, em geral oferecido ao entrevistado pelo pesquisador, pois guarda estreita relação com o problema de pesquisa. Nesse sentido, destaca-se a importância de produzirmos um roteiro para essas entrevistas.
(c) Vantagens
- Inclusão de histórias e versões esquecidas ou desprezadas;
- O historiador pode criar maneiras de fazer o leitor se sentir parte do seu tempo e espaço.
- Quando uma pessoa passa a relatar suas lembranças, transmite emoções e vivências que podem e devem ser partilhadas, transformando-as em experiência, para fugirem do esquecimento.
- Inclusão de comunidades diversas no processo sócio-histórico humano.
(d) Desvantagens
- A verdade está na versão oferecida pelo narrador;
- O discurso não é transposição transparente de opiniões e de atitudes;
- É um método que, em muitos casos, necessita da aplicação de outro para a constatação da veracidade dos fatos apresentados pelos entrevistados.
- Maior quantidades de relatos orais para formação de idéias centrais.
Referências:
http://www.forumafrica.com.br/parte2.pdf#search=%22forumafrica.com.br%2Fparte2%20pdf%23%22
http://www.pr.gov.br/arquivopublico/pdf/palestra_fontes_orais.pdf#search=%22historia%20de%20vida%22
LEITE DA SILVA, Acildo. Memória, tradição oral e a afirmação da identidade negra. In Revista Movimento - Universidade Federal Fluminense. EdUFF. Niterói. 2005.
Considerações:**
(Ivonete)- Na verdade escolhemos HV por curiosidade, já que conhecíamos pouco a respeito e também porque outros colegas já haviam escrito a respeito dos demais. Quanto a monografia não havia pensado na possibilidade de trabalhar ainda, mas acredito ser possível sim, pelo menos em algumas partes dela. Muitas vezes se perde informações riquíssimas pelo fato de não ter sido publicada, esquecidas, não valorizadas ou publicada de forma distorcida (temos um exemplo real em nossa região, a Revolta dos Posseiros de 1958, agora resgatada, muitas coisas foram esclarecidas, outras haviam sido omitidas e nem tudo o que havia sido publicado era real).
Quem relata sua história de vida traz o passado para o presente, se sente parte da história.
Não encontrei autores que falassem de história de vida com crianças (confesso que fiz uma breve procura!), mas acredito que sim, basta ouvirmos nossos alunos, que com as sua interpretações, tem muito o que falar da sua vivência.
Comments (3)
Anonymous said
at 11:11 pm on Oct 21, 2006
Olá Ivonete, Jozemar, Édena, Claudete
O trabalho de vocês está sintético e diria que está correto. Vocês consideram a HV como possível de trabalhar na monografia de vocês? Por que vocês escolheram a HV? Quando o pesquisador deve considerar o uso das Histórias de Vida na sua pesquisa? O que vocês imaginam acontecer com os sujeitos que relatam a sua história de vida? Faz-se História de Vida com crianças? Se sim ou não, por quê? Fundamentem as respostas com análises de autores e interajam com as idéias da perspectiva de compreensão de vocês? Bom trabalho, abs - Marie
Anonymous said
at 6:33 pm on Nov 25, 2006
Oi Ivonete, adorei a tua resposta na página, com um breve exemplo mostras a potência que pode ter o resgate de passagens quando se busca os sujeitos que viveram parte da história. Veja bem, quando contamos algo que está em nosso passado nem sempre esses acontecimentos lembrados são, de fato, o que aconteceu. A pessoa que lembra fatos o faz com o olhar de hoje sobre o passado, então ela atualiza aquilo que viu e sentiu. É muito diferente buscar o relato de um evento quando este ainda faz parte da memória recente de todos. Lembrar fatos também significa acertar contas com o passado; as pessoas se emocionam ao lembrar das famílias, da sua história e quanto mais idade ela tem, talvez, maior seja o valor atribuído ao acerto de contas. Claro que isso se dá de modo inconsciente, mas certamente está presente na história de vida. E tem mais: as pessoas de uma época podem viver determinados fenômenos que nunca existiram, mas elas recordam como se fossem fatos reais. Estranho, né? Dias atrás lia um livro que falava que o ex-presidente Ronald Reagan contava passagens de sua luta na 2a. guerra, mas ele nunca esteve lá, mas viveu isso, em ficção, nos seus filmes. Não era exatamente a questão de que ele estivesse mentindo, porque ele tinha muita certeza de ter estado lá. [continua abaixo...]
Anonymous said
at 6:33 pm on Nov 25, 2006
Por acaso você já não experimentou a sensação de ter assistido um filme, mas que na verdade você lembra fragmentos que contaram para você? É mais ou menos assim que ocorre com momentos da história de vida. Mas o que trouxe não tem a intenção de invalidar a HV, longe disso, mas sim para mostrar que uma história de vida tem que ser analisada no seu contexto de produção discursiva [complicadinho, não?!]. Quanto a história de vida com crianças, tanto quanto sei, esta não se aplica. O máximo que podemos realizar são entrevistas, mas não propriamente histórias de vida porque esta última pressupõe uma vivência mais longa e substantiva. Mas como a HV não é meu foco de trabalho, posso estar equivocada. É isso, um beijo, Marie Jane
You don't have permission to comment on this page.